29.4.11

Amo odiar meus pecados
odeio amar meu ego
fico cego diante dos meus erros
erro quando desejo acertar
acerto pessoas a minha volta
mas espere:
pode uma volta causar revolta?

28.4.11

Aviso aos navegantes

Aos que achavam que este escriba havia abandonado sua redação, eis que ressurjo um pouco sujo pela poeira de longínquas rodoviárias. Volto nos próximos dias com novidades.

14.4.11

Uma viagem interior e espiritual

"Que bem nos fará saber que essas coisas apenas foram ditas um dia? O importante é que foram vividas. Que decorrem de uma experiência dos níveis mais profundos de vida. Que representam uma descoberta do homem, ao cabo de uma viagem interior e espiritual que é muito mais crucial e infinitamente mais importante do que qualquer viagem à Lua."
A sabedoria do deserto, Thomas Merton

12.4.11

Enquanto o Fim do Mês Não Chegar

Não tenho medo do fim do mundo não
Eu tenho medo é do fim do mês
E o aluguel chega mais uma vez
Depois chega, o "budegueiro"

Não tenho medo do fim do mundo não
Se o fim do mês não chegar
O mundo pode até se acabar
Ainda tenho um "tiquin" de dinheiro

Tenho mais medo do fim do mês
do que do fim do mundo
O mês se acaba todo mês
E é o fim pra quase todo mundo

Por isso enquanto o fim do mês não chegar
Chegue pra cá, vamos recomeçar
Vamos se amar, vamos se amar
Vamos se amar até o fim do mundo.

(Santana, o Cantador)


11.4.11

A fé, portanto, não só é capaz de penetrar a substância íntima da Verdade de Deus, mas é um conhecimento de Deus redentor e imediato. Ela nos "salva". Sua luz é mais do que um raio de especulação: confere vida. O despertar da fé não só dá luz ao entendimento e paz à vontade: transforma todo o ser moral do homem. Ele se torna uma nova criatura. Renasce.
(Ascensão para a Verdade, Thomas Merton)

7.4.11

Onde está aquela minha paixão oculta por uma certa 'macumbeira da cara de peixe', que trazia em sua boca um gosto de faca amolada e um olhar mais cortante do que mil peixeiras disparadas em feixe?

6.4.11

Corres, pendência!

Corres, pendência! é mais uma novidade 2011 do Sertão de verso. Vez enquando será apresentado neste espaço algumas mensagens trocadas entre os meus benquistos, mas sem comprometer a segurança nacional. E na estreia...

Olá, caríssimo!
Que bom ter lido sua mensagem no meu blog! Honrou-me muito o seu comentário! Aliás, já conheço o seu blog há tempos, pois Francinaldo sempre me falou dele e me levou aos seus escritos! E, antes disso, já me falava muito de você... Afinal, somos quase conterrâneos! Então, estou escrevendo para dizer que também gosto muito do que vc faz; aprecio particularmente seu humor inteligente, finíssimo, tão genuíno... Receba meu abraço e de quando em vez troquemos ideias e letras, afinal... sertão é o mundo inteiro, e ser tão cônscio disso é já mérito de quem de alguma forma nos pequenos ou grandes sertões trilha veredas!
Abraço,
Fabiano
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De Antonio Fabiano
O Blog www.antoniofabiano.blogspot.com
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+
pax!

Salve, salve, Fabiano! Feliz pelo vosso contato. Agradeço suas lisonjas vociferadas.
Não sou filho de alcaide, mas me sinto um aqui na redação do blog: os mandos e desmandos epigrafados por este escriba deixam-no todo afobado e pronto pra briga. O mundo dos blogs nos permitirá trocar muitas ideias. Iremos, literalmente, nos ler, e a partir daí surgirá o conhecimento mútuo. O bom desse diário virtual é colocar tudo o que se passa no dia-a-dia, no meu caso eu coloco tudo, tudo que atormenta meu ambiente interior: rezenhas quotidiárias, vizagens etílicas, alumbramentos sapienciais, lorotas homéricas, jornalismo picareta, fábulas filosóficas, lendas platônicas, fotonovela chifrim e malassombrações do fim do mundo. Conto com vossa leitura deste mundo, pois o Sertão é seu, o Sertão é nosso, é de quem quiser, de quem vier...
Vosso irmão menor,
Cristóvão Júnior
PS: Quero sua permissão para publicar o teor desse e-mail.

Caro Cristovão Júnior,
fique muito à vontade para publicar o que quiser... Ah, tem mais uma do Francinaldo: ele chegou das férias muito orgulhoso de que havia sido publicado no seu blog em foto. Eu passei muitas vezes e não via nada. Até que ele me mostrou uma foto, na verdade SUA, em que ele está de costas, num barco, na lendária Cachoeira do Urubú. Por falar nisso, soube que o maior cajueiro do mundo não é mais o de Natal, mas um de Teresina (!). Hummmm Pelo menos o mais famoso do mundo é o de Natal. Mas o Francinaldo não se convence disso... A crer nas descrições dele, a copa desse cajueiro cobre todo o mundo. É ver pra crer! Ele já lhe contou a alucinação que ele teve de um caminhão gigante? Interrogue-o oportunamente... rs rs rs
Abraço,
Fabiano
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ok, vou tratar disso com ele depois!
amanha cedo a postagem que voce ajudou a construir vai estar no ar!
valeu demais,
Cristóvão

5.4.11

Papa barra canonização de José Alencar

VATICANO - O papa Bento XVI protestou ontem contra o que classificou de "idolatria" de José Alencar. "Está certo que o falecido vice-presidente atravessou a vida pública sem se envolver em escândalos de corrupção. Mas, apesar dos reiterados pedidos, não posso classificar sua lisura como milagre", disse o sumo pontífice. "Além disso, existe uma liminar em vigor que só reconhece um São José no Brasil: o São Sarney do Pericumã do Maranhão".

Sua Santidade admitiu que José de Alencar "enfrentou o câncer com raro desassombro, e também com as centenas de milhares de dólares que lhe garantiram um tratamento excelente". Mas ressaltou que "em matéria de bigode, o Sarney dá de dez no Alencar".

Fontes ligadas ao Bispo Macedo dizem que Bento XVI interrompeu o processo de canonização de Alencar porque São Sarney prometeu uma diretoria do Santo Senado a Hans Ratzinger, um sobrinho de Sua Santidade que mora na Santa Baviera.

Ao fim do crepúsculo, um teólogo marxista publicou, em seu twitter, uma polêmica mensagem: "A maldição que Barrabás lança sobre seu neto, Canaã Roriz, respinga sobre o Planalto Central, daí a fome por cargos, surtos homofóbicos e as guerras éticas!".

Convidado a opinar sobre o tema, o deputado Jair Bolsonaro declarou que "esse negócio de homem idolatrar outro homem é coisa de frutinha".

Sorte do dia

Um passarinho feliz cura mais que qualquer remédio

4.4.11

Microconto #4: Segredos

Nunca cantou, nem sequer no banho, e sempre odiou toda espécie de música, principalmente as antigas. Guardava escondido de sua esposa suas roupas íntimas; esta nunca soube o que ele usava "por baixo". Certa noite ela se surpreendeu quando ele, sonâmbulo, vagava pela casa a cantarolar um samba-canção demodê.

2.4.11

Microconto #3: Apelido

Primeiro, aula de matemática, onde os algarismos romanos foram apresentados. Depois, aulinha de inglês. No recreio, a pobre IVONE ficou atormentada com os meninos lhe chamando de “Quarenta e um”.

1.4.11

Da série Arapuá de fogo

O Sertão de verso trará – aqui e acolá – trechos incandescentes de alguns clássicos da literatura inter|nacional que por ventura tenha passado, ou esteja passando, pelas invertidas retinas deste escriba. A série herda do Arapuátrigona spinipes, espécie de abelha preta – sua peculiaridade mais ditosa: a teimosia de sempre partir de encontro às nossas madeixas, se enlinhando nos fios, enquanto seu zunido vai nos deixando loucos, além de aperriados, até que venham ser esmagadas, pondo fim, na maioria das vezes, a sua existência nesta terra.
O que aqui se pretende divulgar são simples mentes, autores que despacham de seus consultórios mil e um psicotrópicos da alma, trechos ígneos que provocam revolução e que não saem fácil da cabeça, a la arapuá. Além desta divulgação, outra pretensão do macambúzio que aqui escreve é pleitear para si um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU ser o arauto que anuncia possibilidades experênciais epidermicas, subcutâneas ou, quiçá, medulares.
Feita esta solene introdução, vamos ao trecho de estreia, que sai do início da 2ª parte do Assim falava Zaraustra, quando o profeta, após meses e anos de total solidão, resolve voltar ao convívio dos seus amigos/inimigos, acreditando poder dar a eles o que tem de mais caro: sua doutrina.
Eis a sabedoria selvagem de Friedrich Nietzsche. Eis um verdadeiro monólogo arapuado:

“O meu impaciente amor transborda em torrentes, para o nascente e para o poente. Até minha alma se agita nos vales, abandonando os montes silenciosos e as tempestades da dor.
Demasiado tempo sofri e por muito tempo estive olhando para lugares distantes. Por demasiado tempo pertenci à solidão. Agora esqueci o silêncio.
Tornei-me todo inteiro boca e estrondo de um rio que desce de elevadas rochas. Quero precipitar minhas palavras nos vales.
A torrente de meu amor poderia muito bem se chocar com obstáculos intransponíveis! Como uma torrente não encontraria enfim o caminho do mar?
Sem dúvida há um lago em mim, um lago solitário que se basta em si mesmo. Mas minha torrente de amor o arrasta consigo para a planície, para o mar.
Caminho por novas sendas e encontro uma linguagem nova. Como todos os criadores, cansei-me das velhas línguas. Meu espírito já não quer mais seguir com sandálias gastas.
Lento demais é para mim o curso de todo discurso. Salto para teu carro, tempestade! E a ti também quero fustigar com minha malícia!
Quero viajar por vastos mares como um grito e como um clamor de alegria, até encontrar as ilhas Afortunadas onde moram meus amigos. E, entre eles, meus inimigos! Como agora os amo a todos, contanto que tenha o direito de lhes falar! Meus próprios inimigos fazem parte da minha felicidade.”

Sem atingir ninguém

no espelho
me espelho
te espreito
me engano

(reminiscências do 1º de abril)