25.2.11

um certo alguém me disse isso
infelicidade é uma questão de prefixo*
um outro alguém me disse ainda
a vida é uma arte que finda**
mas preste atenção nessa
parte:
se o coração pára, infarte


* Guimarães Rosa
**
Ricky Martin

24.2.11

Desconfiança

Eu não sei de quase nada, mas desconfio de muita coisa: desconfio que duas entidades tomaram o controle das minhas atividades cerebrais e dos meus movimentos cognitivos. Um, mistico inglês so século XVII; o outro, forrozeiro lá das bandas do Pernambuco.
Angelus Silesius X Geraldinho Lins

"Se, no teu centro um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia, nele entrar"

"Eu tô sentindo tanta falta de você,
eu tô dum jeito que não queira nem saber"

23.2.11

Por que o silêncio nunca é total?

Há sempre um grilo, um cachorro, uma moto ou um motor de geladeira... e se demoramos nessa espera até o galo dará o ar da graça, com seu canto despertando a aurora.
Há quem ache ser o silêncio a morada do desespero. Meu desespero é esperar por um silêncio perfeito. Entretanto, perseguir o silêncio sem uma motivação razoável é grande tolice.
E quando o silêncio, enfim, acontece? Aí são os pensamentos que gritam feito loucos. Eu sempre me conformo quando compreendo que não haveria silêncio se não fosse o barulho.
Merton ensina que é no silêncio que escutamos a voz de Deus. Minha vida, portanto, deve ser um ouvir. A Dele, um falar. Minha salvação está em ouvir e responder. Dessa forma, a busca por uma vida silenciosa favorecerá esta audição.
Não é transformar nossas vidas numa eterna antagônicidade, criando contradição entre as 'coisas' e 'Deus', como se fosse Deus outra 'coisa' e Suas criaturas fossem Suas rivais. Não nos desapegamos das coisas para nos apegarmos a Deus, mas nos desapegamos de nós mesmos de maneira a ver e usar todas as coisas em e para Deus.

“Senhor, é quase meia noite e eestou te esperando na escuridão do grande silêncio. Lamento todos os meus pecados. Não me deixes pedir mais do que ficar aqui sentando na escuridão sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar com meus próprios pensamentos para preencher o vazio da noite na qual espero por Ti.”
(Thomas Merton)

22.2.11

Verso punk-brega ou Obviedades à flor da palavra

amar é
ter o mar
e querer uma gota

amar é
ter o mundo
e querer você

Paráfrase à cajuína

Resistimos:
O que será que desatina?
Quando não sou e nem sinto tua alma femenina
E se a multidão dos quereres cai que nem uma chacina
O desatino sonha lamber tua melanina
Tanto o choro como o corpo ao fogo se destina
Calor e amor derreterá a parafina
E se gritarmos, será que ao menos perceberia
Que minha vida é ela e que penso nela todo dia


21.2.11

Socorro, me acuda
vamos, me sacuda!
venha sem alarme
e se desarme
é um favor
que peço com fervor
vamos pra cadeira
iniciar a brincadeira?


Cristóvão Júnior é servente de pedreiro e sofre de autismo,
convive diariamente com massa de cimento e tijolos,
e imagina ter a mesma habilidade com as palavras
só por que faz algumas rimas
pobres e sem sentidos.

19.2.11

Guia prático de filosofia para sobreviver a um papo cabeça

Se na roda pintar o assunto “carnaval”, crie coragem, se vista de Schopenhauer e diga:

“Não preciso de nenhum adereço sob meu corpo, nem preciso pular feito uma guariba. O mundo é um grande baile, não da forma como é, mas da forma como eu vejo. O Carnaval é minha representação.”

Depois é só se ligar na cara de nojo que seus interlocutores farão.

18.2.11

Do amor e do elogio à loucura

Nietzsche tinha razão: há sempre algo de loucura no amor, assim como há razão na loucura.
Se o amor não possuir doses homeopáticas de loucura, a razão deixará as relações cabeçudas, cerebrais demais. Vai vendo se não é a loucura o tal estado que a gente busca quando aderimos a alguma prática ensinada por gurus em seus livros de auto-ajuda.
O seu amor está anêmico? Acredite, a Lou cura!

17.2.11

Prego

pregado ao telefone, com os olhos pregados de sono, mirava a sorridente foto pregada ao espelho, ao tempo que se sentia um prego por não estar dormindo depois de um dia em que apregoou pra todo mundo que estava estafado pelo trabalho.

16.2.11

chuva fina lá fora
cá dentro há tempestade
sua frente fria
encontra minha zona de convergência
imobilizado por esta chave
o que farei além de pedir
que me aperte mais?

11.2.11

Diário de Bordo #5

ou Fecha a conta e passa a régua

Chega ao fim uma das mais épicas estadias em solo tabajara.
Morenado pelo sol do Equador, banhado pelas chuvas de fim de tarde e gozando da companhia dos seus, este caudilho encerra o presente Diário acreditando que os momentos felizes vividos nestas férias serão seu combustível no enfrentamento de um ano que se "inicia".