23.7.10

Sobre o amor

O amor é, de fato, uma intensificação da vida, uma completude, uma plenitude, uma inteireza de vida. (...) Jamais seremos plenamente reais enquanto não nos apaixonarmos - seja por uma pessoa humana, seja por Deus. E isso não deve se limitar apenas à realização sexual: abrange tudo na pessoa humana - a capacidade de entrega de si, de partilha, de criatividade, de cuidado mútuo, de preocupação espiritual.
Amor e Vida, de Thomas Merton, página 28

O figura de linguagem

vendo minhas hipérboles
sem ver em que ponto estou exagerando
vendo minhas antíteses
estou com nojo de tanta contradição
vendo meus eufemismos
chega de ser cortês toda hora
vendo meus pleonasmos
ser incisivo as vezes parece insegurança
vendo minhas aliterações
todas essas repetições me cansam muito
vendo minhas onomatopéias
ser surdo tem lá suas vantagens
vendo esta metáfora
meta? Pensando bem, tô fora!

22.7.10

O segredo da minha identidade

"O segredo da minha identidade plena está escondido Nele. Só Ele pode tornar-me quem sou, ou melhor, quem serei quando, por fim, começar a ser plenamente. Mas essa obra jamais será realizada se eu não desejar essa identidade e trabalhar para encontrá-la com Ele e Nele."
(Novas sementes de contemplação, Thomas Merton)

16.7.10

Hai'ca(rái)

persigo aquilo que não alcanço
conquisto trivialidades gratuitas
renuncio ao que não consigo me dar

14.7.10

Topless


onde começa a praia?

onde termina teu corpo?

onde está tua roupa?
onde está o socorro?

onde está tua vergonha?
onde estaciono meu olho?

13.7.10

Des'prender

Depois de ler mais um trecho dos diários de Thomas Merton, chego a uma dolorosa e necessária conclusão: tenho que dá um jeito na minha oculta desculpa para a inércia na qual me meti, como se aí houvesse alguma espécie de despojamento.
Percebo que minha vida está atolada numa tola vaidade. Preciso ser honesto sobre isso, avançar ao grau dos homens verdadeiramente desprendidos, e assim me sair desta complacente pose de honestidade, que é inútil até para convencer a mim mesmo.

10.7.10


como um sacramento
como meu sacro pão
sem nenhum lamento
apesar deste pão ser,
neste momento,
lágrimas de descontentamento

9.7.10

É terno


o tempo e a eternidade
vivem uma (e)terna conivência
sentidos em raros lampejos
de liberdade e leveza d'alma
estamos num agora
que antes era pura ânsia
a denotar simples sinais
de nossa origem anti-fugaz
hei de me calar
para assim não deformar
o que me fora preparado
para apreciar em silêncio

8.7.10

nada mais me comove
saudade já não se move
meu gênio lascivo é chei de horas nove
mas, uma coisa não se devolve:
meu desejo de ser o pai dos Irmãos Karamazov

7.7.10

Insight da 6ª noite onírica*

de volta
como a devota
que sempre devora
preces de outrora
vejo bater o velho cio
e nessa tara balbucio
lembranças daquele quintal
povoado de hipocondríacos
toxicômanos da lucidez
a disparar suas poesias giratórias
de movimento orbital


*se não entendeu, clica aqui

2.7.10

Com o caos no twitter, meu desabafo vai por aqui mesmo, engrossando o coro dos descontentes: Felipe Melô! To com noooojo!