28.5.10
Aquela hora
o coração, mudo
as pernas, bambas
a pele, transpira
a mente, voa
os olhos, fitam
e a boca, fala:
“Eu estou só
Tu está só
Nós somos um só
- Quer casar comigo?”
27.5.10
Os (dez)pedaços
o amargoso jiló existencial
a interditar a passagens dos dias
com seus cacos na diagonal
seguir por via vicinal
como se visse o invisível
numa esperança natural
a buscar o imprevisível
eia, avante
o caminho está aberto
e a pessoa que lhe trará alegria
pode estar por perto
26.5.10
Poeminha praiano
acompanhava o ir e vir das ondas
como que pulsares do coração
seus olhos e sua atenção
eram uma só coisa:
desejo de forte emoção
21.5.10
Prometeu
vindo de além-fronteiras
dos quereres estancados
aqui me encontro
sim, sou eu
Prometeu
que nunca prometi
que nesta vida, um dia
me rebelaria contra Ti
Tu
Senhor esquecido dos pecados alhures
que vigia as fonteiras da suposta realidade
aquece o velho fogo
esquece o velho roubo
que um dia cometi
Ele
peregrino insone
sobrevivente do apocalíptico caos
pensava ganhar o mundo
seguir viagem
mesmo se sentindo imundo
em matéria de rapinagem
Vós
venham todos vós
multidão de abutres famintos
venham dilacerar
estas entranhas estranhas
e saciar minha necessidade de castigo
19.5.10
Minha esperança
18.5.10
Incertezas ou Como alguns “ous” precipita um jovem apavorado no vale de lágrimas da dúvida cruel
14.5.10
persigo o equilíbrio tropeçando na vacuidade das pessoas
essa coletividade contaminada pelo absurdo
teatro de obviedades
que me deixa surdo
com seus horrores
e seus falsos amores
leviandade de boas intensões
e olhares atravessados
a denotar pérfidas maquinações
passam por esse mundo a mendigar
amor e reconhecimento
e se escondem por trás de barulhos
com medo que o mundo os acuse de vazio
13.5.10
Não é dificil ser feliz
Thomas Merton
(Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 66
12.5.10
Versos Espelhados*
pra mim é um prazer
quando estou com você
ouvir você dizer
que não quer me esquecer
mas como vai esquecer
se eu não canso de dizer
que não vivo sem você
e que és o meu prazer
*título sugerido pela Dalila assim que estes versos
saíram da pena deste escriba e foram
recitados em primeira mão.
11.5.10
10.5.10
9.5.10
Ensaiando epitáfios III
Aqui jaz um grande poeta
nada deixou escrito
este silencio acredito
são suas obras completas
Paulo Leminski
8.5.10
MiGuXoS
CoMu voxxeIxXx taUm??!?! tUdU beM??!?!
eu toW otIMoh...... aINdAH + agORah......
SaBE...Naum SEi u KI AContECeU cMg hj
MAixXx tIPu...LeVantEI ceDu pRaH KarALhU......
nauM erah nem 7H I Eu jAH TAvAH ligADAXXaH......
MEOOw...AcoRDei SOzINHu...sEM diSpeRTADoR.......
seM NiNgUEm mI xXxAmAh... tEM NOsssAum??!?!
NUssa...... DI boua fAIxXx moh tEmpAUM
ki euzinhu nAum AprovEItAvAH u DiAh aXXIM......
PeRFECt...
i u + iraDu eh kI toW ME sENTINU beM prAh KARAlHu......
+ JOVi talz... TOW mE SeNTiNU kum 16 AnUxXx di novU !!!
Fla SeRiu VéI!!!! mTu BoM
iXXU aki TAh bOmbANu Kra......
VoW vaZAH... Vlw
AModOlu VuxXxEIxXx...... ADOru!!!!!
BeIjinhUxXx
t+
6.5.10
"Eu só quero acabar com você"
Ouvir a pessoa amada dizer que num passado recente, enquanto perdurava a diáspora dos nossos afetos, em uma de suas raras alucinações etílicas, durante um show do Validuaté, às quedas, procurava ajudar o Quaresma e seus asseclas a entoar com toda força a cantiga: “partiu com aquela pessoa páia, partiu com uma pessoa mais feia do que eu (…) Eu só quero acabar com você...” é no mínimo enobrecedor e confortante. Sim, porque o que vale mesmo nessa hora é ser lembrado, mesmo que a lembrança venha acompanhado de um certo gosto de sangue na boca.
Ora, enquanto este mancebo vagava por outras plagas e paragens, percorrendo montanhas e mares, enquanto mergulhava esta cabeça loquaz e enfrentava feras em outras atmosferas, enquanto aprendia técnicas indígenas de relaxamento profundo através da ingestão do Santo Daime, um alguém do lado de cá do Rio Parnaíba se libertava de mim, e de si, saindo de um escuro e pesado casulo para gozar da leveza peculiar de uma borboleta.
Só há uma conclusão para isso tudo: Para curar uma paixão platônica só mesmo um porre homérico!
5.5.10
Chamas da alegria ou Como um fogão novo transforma o estado de espiríto de um dono-de-casa taciturno
Não tive surtos histéricos nem tão pouco crises nostálgicas. Lançá-lo no lixo até que foi fácil. Achei que alguma lágrima suicida iria se precipitar rosto abaixo, desse mesmo rosto levemente flambado ao longo de quase cinco anos pelas chamas descontroladas de seu acendimento.
Foste um heroi, fogão Pantanal, mas tens que dar lugar ao Esmaltec 4 bocas com acendedores automáticos forno alto-limpante tela plana full HD de LCD com entradas USB e HDMI e já com conversor digital incluso.
Cozinhar ovos, esquentar leite, fazer um cuscuz e assar queijo duma vez só foi demais pra mim. Dessa vez a velha lágrima serelepe eclodiu do fundo do meu eu e presenciou junto comigo as quatro chamas acesas de um fogo sagrado.
4.5.10
que se abriu no terreiro do meu peito?
Como repensar as ideias
e redigir os finos traços do seu leito?
Como estancar rimas soltas
que existem sem que eu as tenha feito?
Como terminar estes versos
sem pelo menos um defeito?
ele também havia disputado na categoria “Miolo de Pote”,
mas foi desclassificado quando descobriram que
fazia isso por pura pretensão.
3.5.10
2.5.10
Fé
para lamas tibetanos
fé é quotidiana vivência
simplicidade em sua essência
busca silenciosa de retidão
se assim não for
a fé não passa de mera opinião
