Antes era muito mais fácil encontrar-se sozinho, na companhia apenas dos próprios pensamentos. A internet tirou esse nosso “estar só”. Não há mais como ficar sozinho com suas divagações, desenvolvendo ideias. E há, e quando isso ocorre alguém tem gente lá da “caixa prego” que diz: “ você devia fazer um face”. Antigamente, quando anoitecia, o mundo se recolhia consigo mesmo e suas ruminações. Hoje temos a eletricidade, a televisão, saímos de casa etc. Não que isso seja ruim. Mas desta forma sempre estaremos, o tempo todo, com outras pessoas, com outras coisas acontecendo. Suspeito de que toda essa frenética carência de querer se “aparecer” em redes sociais pode nos impedir de desenvolvermos a nós próprios e a nossas ideias. O que motiva esta postagem é o constante bombardeio de informação sem senso, sem o pingo de cabimento, opiniões alheias e alhures de coisas sem fundamento. As redes sociais são boas, mas tem gente usando errôneamente: Tem nêgo dando satisfação de coisa que não precisa. “Mas quem é você para querer dizer o que tenho ou não tenho que colocar no meu facebook”, pergunta aquela que costuma postar a quantidade de horas, minutos e segundos que passou ao telefone com namorado. “Mas quem você pensa que é”, indaga a escantada que todo dia dá seu 'bom dia' e não recebe nem sequer uma cutucada. “Homi, deixa de ser besta”, vocifera aquele que não tem uma frasezinha própria, uma ideologiazinha a qual seguir, uma bandeirazinha a empunhar, e usa o 'copiar' e o 'colar' em tudo que é pensamento que possa servir de auto-ajuda para seus amigos, mesmo sabendo (mas se esquivando) de que ele próprio é o destinatário principal daquela mensagem do desconhecido autor. “Vá comer bosta”, cuspiu aquele metido a culto que cita Aldous Huxley sem mesmo saber que o cara tava quase cego e precisava agradar seus leitores com coisas medianas, para que lhes fossem peculiar, e assim conseguir algum para viver.
Tô caindo fora, essa atmosfera está me matando.



