29.9.10

o vazio me subiu pela cabeça
tomou conta do meu corpo
deixou um oco na mente
e na garganta um nó travoso

não sei em que pensar
não sei em quem lembrar
não sei no que falar
não sei
e sei

estou fora do ar
estou fora assim
noves fora nada
conturbações dentro de mim

por favor me deixe em paz
já que sou um “tanto faz”
quer saber o que sou mais?
sou um nada que não lhe merece
e nem tenho nada que lhe interesse
eis o nosso fim
vê se me esquece

20.9.10

Se alguém


Se alguém perguntar por mim

diga que me mataram
ou diga que me morreram
só não diga que vivo
para os que não me mereceram

Se alguém lembrar de mim
diga que estou melhor
ou diga que estou na pior
só não diga aos esquecidos
que minha alegria está maior

Se alguém duvidar de mim
não diga que é verdade
nem diga que é mentira
é acima de qualquer suspeita
que adormeço minha ira

8.9.10

Meninos

Vou pro campo
No campo tem flores
As flores tem mel
Mas a noitinha estrelas no céu, no céu, no céu

O céu, da boca da onça é escuro
Não cometa, não cometa
Não cometa furos
Pimenta malagueta não é pimentão, tão, tão, tão

Vou pro campo
Acampar no mato
No mato tem pato, gato, carrapato
Canto de cachoeira

Dentro dágua
Pedrinhas redondas
Quem não sabe nadar
Não caia nessa onda
Pois a cachoeira é funda
É afunda

Não sou tanajura
mas eu crio asas,
Com os vagalumes
eu quero voar, voar, voar
O céu estrelado hoje é minha casa
Fica mais bonita
quando tem luar, luar, luar
Quero acordar
com os passarinhos
Cantar uma canção
com o sabiá

Dizem que verrugas
são estrelas
Que a gente conta
Que a gente aponta
Antes de dormir, dormir, dormir

Eu tenho contato
Mas não tem nascido
Isso é estória de nariz comprido
Deixe de mentir, mentir, mentir..

Os sete anões pequeninos
Sete corações de meninos
e a alma leve, leve, leve
São folhas e flores ao vento
O sorriso e o sentimento
da Branca de Neve, neve, neve...


Juraildes da Cruz

6.9.10

Sobre algumas merdas que a gente fala por aí

Falar merda é quase que uma identidade do ser humano, e cada um de nós estamos sempre contribuindo para que esta característica se perpetue pelos séculos dos séculos, amém.

Mas por que razão a conversa jogada fora recebe o nome de “merda”?

Toda conversa fiada ouvida e toda lorota falada está desprovida de conteúdo, de substância e de importância. Assim é a merda. Quando ingerimos os alimentos o nosso corpo retira deles os nutrientes, expelindo, em seguida, uma massa fétida sem valor: um cocô, ou se preferir, uma bosta, ou aqui no caso em tela, una mierda.

Casais em fúria são verdadeiros “poetas de merda”. Na discussão, muito se fala, pouco se aproveita; no fim só fica a catinga (entendamos a catinga como sendo as lembranças daquelas palavras inapropriadas para este blog e que a moral e os bons costumes fazem calar).

Quem nunca disse merda numa discussão levante o papel higiênico.

As besteiras ditas no calor do momento pertencem ao calor “daquele” momento, não podem se tornar “prato principal” quando as velhas DR pintarem, antes, ao contrário, elas devem ser cagadas, e a cordinha da inteligência puxada, para que o redemoinho das águas passadas levem toda merda para as profundezas do esquecimento necessário.

Enfim, chega de tanta merda.

3.9.10

5 anos de RN

Quando cheguei por estas plagas, não ousava projetar 5 anos para frente, por imaginar que minha permanência seria transitória. O fato é que aqui me encontro por esse tempo todo, seja por uma acomodação instalada, seja pelas condições aparentemente favoráveis que aqui encontrei.
Como definir “condições favoráveis” sem negar meus rizomas teresinenses? Simples! Não há definição. Nem tudo foi/é/será favorável.
Oh Portalegre, tuas alegres portas se abriram para mim, e hoje eu te chamo de minha casa. Tu és como um lindo arco-íris que, pela saudade da terra natal, enxergo em preto e branco.

2.9.10

A vida que se esvai

vai ao sabor do vento

aquele vento que resseca a pele

[como esse do mês de setembro]

minha pele precisa da tua

pois sedenta está em todo momento