29.6.11

“Águia não sou, mas dela tenho, simplesmente, olhos e coração, pois que, não obstante minha extrema pequenez, ouso fitar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente nele todas as aspirações de águia... Quisera a avezinha voar em direção ao Sol fulgurante que lhe fascina os olhos."
(Santa Teresinha, História de uma alma)

28.6.11

Se Maria Betânia é a chuva que lança areia do Saara sobre os automóveis de Roma, eis que sou o vento impetuoso que desmantela penteados, que incita fogueiras, que remove poeiras, destelham casas sem eiras nem beiras; mas que também traz o cheiro de chuva e a temperatura que matura a uva.
Por oportuno, um conselho de momento:
Evitai de cuspir contra o vento.

27.6.11

Da série Não vou estragar isso aqui no twitter

Para onde foram as lágrimas dos meus olhos e o aveludado do meu coração?
(Nietzsche, Assim falava Zaratustra)

22.6.11

Ele foi ferido
a sua prepotência de macho-jurubeba-romântico
o levava a achar-se todo amor
[amor com "H" maiúsculo]

Apesar de ter mantido o faro
passou a carregar uma indagação
há quem torça para que ele fique são
enquanto outros acham ser uma ficção


Cristóvão Júnior é instrutor de homens-bombas com vasta experiência,
nas horas vagas coloca seu turbante e faz bico como encantador
de serpentes. Costuma simular apatia e tristeza ao
telefone, semendando pulgas atrás
de orelhas destreinadas.


21.6.11

Se eu fosse um menino
desejaria dormir agarrado a ti
que nem um ursinho de pelúcia
mas, como já sou grandinho, vou do meu jeito
com terno amor e um tiquinho de astúcia

20.6.11

Da série Arapuá de fogo

Iniciei neste fim de semana a leitura de uma biografia sobre Charles de Foucauld (1858 - 1916), um religioso francês que viveu no Saara. Fui apresentado a ele por Dom Celso, então arcebispo de Teresina/PI, nos idos de 2003. Segue o trecho arapuado de hoje:

"Continuar em mim a vida de Jesus: pensar seus pensamentos, dizer suas palavras, fazer suas ações [...] que seja Ele a viver em mim. Ser a imagem de Nosso Senhor na sua vida escondida: gritar, com minha vida, o Evangelho sobre os telhados"

19.6.11

Domingo da Santíssima Trindade

(Ícone da Santíssima Trindade - André Rublev)

Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente, para me fixar em Vós, imóvel e pacífica como se a minha alma estivesse já na eternidade. Que nada possa perturbar a minha paz, nem fazer-me sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me faça penetrar mais na profundidade do vosso Mistério. Pacificai a minha alma, fazei nela o vosso céu, a vossa morada querida e o lugar do vosso repouso. Que eu nunca Vos deixe só, mas que aí permaneça com todo o meu ser, bem desperta na minha fé, toda em adoração, toda entregue à Vossa Acção criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quereria ser uma esposa para o vosso Coração, quereria cobrir-Vos de glória, quereria amar-Vos… até morrer de amor! Mas sinto a minha impotência e peço-Vos para me “revestir de Vós mesmo”, para identificar a minha alma com todos os movimentos da Vossa alma, para me submergir, invadindo-me, e substituindo-Vos a mim, para que a minha vida não seja senão uma irradiação da Vossa Vida. Vinde a mim como Adorador, como Reparador, e como Salvador.

Ó Verbo Eterno, Palavra do meu Deus, quero passar a minha vida a escutar-Vos, quero tornar-me inteiramente dócil, para tudo aprender de Vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero fixar-Vos sempre e permanecer sob a vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me para que eu não possa jamais sair da vossa irradiação.

Ó Fogo consumador, Espírito de amor, “descei sobre mim”, para que na minha alma se faça como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove todo o seu Mistério. E Vós, ó Pai, debruçai-vos sobre a vossa pequena criatura, “cobri-a com a vossa sombra”, não vendo nela senão o “Bem-Amado” no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a Vós como uma presa. Sepultai-Vos em mim para que eu me sepulte em Vós, enquanto espero ir contemplar na vossa luz o abismo das vossas grandezas».

[Elevação à Santíssima Trindade - Elisabeth da Trindade, Monja Carmelita]

18.6.11

Hei de voar, tá! pois se até as andorinhas vooltam, por que um vôo não posso dar

17.6.11

Os médicos do hitler operam
com fé mais dinheiro público
o caos do amanhã, os tsunamis

Os arquitetos do hitler armam
estruturas que se filmadas na quebra
do caos do amanhã, dos tsunamis,
dariam um efeito meio bom

Os engenheiros do hitler disfarçam
bússolas dentro de queijos
queijos dentro de pães e gavetas
e zarpam


Verso veiculado na MTV em fundo psicodélico, que demorei 2 semanas
para copiá-lo por completo. Não se faz referencia ao seu autor, mas
se sabe que deve ser um cara muito louco.

15.6.11

Responda rápido ou O nó que a liberdade dá em nós

a) Poderia não querer o que quero apenas para saber se sou realmente livre?
b) Poderia ser realmente livre se quisesse não querer saber de mais nada?
c) Poderia saber o que quero se o meu “realmente livre” se reduzisse a nada?
Segundo Spinoza (1632-1677), a vontade não existe. Tomamos decisões, mas elas são completamente determinadas por causas anteriores, ou seja, achamos que somos livres. O que chamamos liberdade é, na realidade, nossa ignorância sobre as verdadeiras causas que nos determinam. Só o conhecimento pode nos ajudar a ser livres, levando-nos a entender que tudo o que nos acontece é o necessário para aquele instante.

O jejum, a oração e a esmola

Os epicuristas, que não esperam vida alguma depois da morte, que não esperam outra coisa senão os prazeres da carne, dizem assim: «comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (1Cor 15,32). Mas os cristãos, acreditando de verdade numa outra vida depois da morte, uma vida muito mais feliz, não digam «comamos e bebamos, que amanhã morreremos». Sem esquecer que amanhã morreremos, digam antes «jejuemos e rezemos, que amanhã morreremos», e esse jejum que aqui refiro vos sirva, em terceiro lugar, como preceito irrecusável e indescurável para assim matar a fome a quem é pobre. Se não puderdes jejuar, dai antes de comer àqueles cuja saciedade vos alcançará misericórdia, e digam então os cristãos: «jejuemos, rezemos e demos aos pobres, que amanhã morreremos».
(Santo Agostinho | Sermão 150, 6)

14.6.11

com a cabeça fria
e o coração ardente
via que era latente
deixar sua vida aparente
para mergulhar noutra
totalmente neutra
total mente-presa
pelos frutos alí colhidos
recolhidos na paz e na esperança
esperando em Deus
sua única confiança

13.6.11

12.6.11

Enquete

O que você quer no dia dos namorados?

a) uma massagem?

b) uma mensagem?

c) um men que age?

d) ou quer que ninguém toque nesse assunto?

11.6.11

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes

10.6.11

Marisa

amada, armada, desarmada
mas nunca desalmada
o mar ela tem
e tudo que nele contém
na superfice, revoltas e cenário de planice
na profundeza, mistério e beleza
somente o Amor pode lhe salvar
acreditai nele, em breve ele vai chegar


Marisa é amiga de longa data. Graduada em Letras-Português, morre de
medo quando vê as letras C – A – R – I – T – Ó juntas.
Costuma encomendar versos a grandes poetas,
mas, com a grana curta, teve que
recorrer a este escriba.

9.6.11

Sobre algumas coisas ditas a esmo

não sou somente idade
sou sonoridade
não sou um tagarela
sou uma paralela
que se encontra
que se encanta
que ama tecer a dor
que amor.tecer.dor

7.6.11

noite alta
céu cintilante
vento cortante
aurora boreal
vias de fato
peito pulsante
gente interessante
entrega total

6.6.11

se perturba
pergunte a turba
sua razão soturna
agora se Saturno
(por seu turno)
está na casa de Vênus
não me pertubo
desde que vista sua camisa
ao menos

3.6.11

Microconto versado

o que separa
(se é que pára)
a paranóia
desta ninfa-bebê
que, antes do abc
ja fala em querer lhe ter?

2.6.11

No fundo do abismo sem fundo

intransigente
habito vazio profundo
por hábito de ser tangente
e negligente com o ser fecundo
a beira de um abismo
me abismo
“você não é tão profundo assim”
um eco insípido ressoa até agora
como se dissesse: vai, é tua hora!
sem fazer carreira e sem esperar apito
lanço-me duma vez
sou todo queda
me precipito

1.6.11

Ruth 1,16s

"Noli instare mihi, ut relinquam te et abeam;
quocumque perrexeris, pergam;
ubi morata fueris, et ego pariter morabor:
populus tuus populus meus et Deus tuus Deus meus.
Quae te morientem terra susceperit,
in ea moriar ibique locum accipiam sepulturae.
Haec mihi faciat Dominus et haec addat,
si non sola mors me et te separaverit"