24.11.10
Contribuição a Shakespeare
Por suas mais diversas qualidades
Mas nunca assim, com toda a minha alma
Pois sempre alguma sombra de defeito
Pairava sobre a graça mais perfeita
E desfazia o meu encantamento
Mas você é tão bela e tão perfeita
Parece feita da pequena parte
De perfeição que há em cada criatura."
(fragmento de A Tempestade)
Falar o que mais, se as palavras me faltam
restando apenas estes longos suspiros
que aqui se derramam diante de tão encantadora beleza
sorver tua imagem é viajar na imaginação
algo mais eloquente que a própria vida
tua perfeição me assombra
e me lança neste cárcere onde cá me encontro
preso pelas amarras da ardente devoção que nutro por ti.
19.11.10
O quê?
O quê seria mais simples que um ovo?
O quê seria mais gostoso que um vôo?
O quê seria mais complicado que ele?
O quê seria mais confortável que uma Lee?
O quê você queria chamar de seu?
O quê você não quer que ela use?
O quê você não faz de dia?
O quê levarei na próxima ida?
E aí está, leitor amigo. Agora você está de posse das últimas gotas de sangue que se pode espremer de um marginal das letras, num louvável esforço hercúleo para obter uma postagemzinha aos 45 minutos do segundo tempo de uma semana atípica. (Sorry, o velho da montanha que aqui escreve sumiu por uns dias, como se a terra o tivesse tragado).
6.11.10
5.11.10
Ruy Barbosa - 161 anos
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos homens, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."Faço memória deste grande nome da história política brasileira por dois motivos: primeiro, por ter sido no dia de hoje, só que no distante ano de 1849, que Ruy Barbosa nasceu; segundo, por ter assistido nessa madrugada uma entrevista com José Dirceu no Roda Viva (canal 26) - quem viu "entederá a dor que eu sinto agora" e o resgate dessa frase lapidar acima transcrita.
Ex-treito
Se me resta um resto de esperança
juntarei meus cacos e voltarei a pensar
naquela volta ao mundo e nas voltas que o mundo dá
mas não sei por qual estreito rumarei:
[Bering ou Gilbraltar?]
tomando qualquer direção
será na estreiteza do teu coração
que sempre irei chegar
4.11.10
Cognoscível não nocivo
Ao ouvir pela oitava vez no dia uma música que adotei como minha | Go On – Jack Johnson |, e ainda vê-la como fundo numa daquelas matérias de comovente superação do Caldeirão do Huck (iria omitir essa informação, não gosto que as pessoas saibam que eu assisto esse programa), percebi o grande poder psicotrópico e anestésico que ela possui.
Não é o caso de Go On, mas as vezes sou chamado a explicar o porquê da minha preferência por determinadas músicas, tidas como tristes. Nunca consegui verbalizar uma resposta que pudesse agradar meus algozes interlocutores. Considerando minha fraca desenvoltura mnemônica transcendental, acredito que essa postagem sirva como introdução ao entendimento de algo que não sei se saberei explicar (oi?), pois, no fundo no fundo, eu penso que não haja uma resposta, e sim muitas controvérsias entre os curiólogos.
Há músicas que nos atingem de cheio, levando nossos lobos temporais a uivarem. Todas as canções que de alguma forma nos arrancam aquele “eita porra!” já existiam antes mesmo da fundação do mundo, sendo que elas só passaram a fazer parte dos nossos genes na ocasião da nossa concepção. A música fica lá engavetada, numa zona escura da mente, esperando o seu momento de eclodir. Mais cedo ou mais tarde ela se apresenta, deixando seus rastros benfazejos.
A partir daí, é a música que passa a nos ouvir, e nesta audição onde o “quem sou” é sonorizado por acordes suaves, voamos por atmosferas coloridas como pássaros que plainam. A chave para compreensão dessa sensação está aqui: Não somos os pássaros, somos o vôo.
Ainda não entendeu? Pois baixe Go On e voe!
3.11.10
| Ele | Ela | Eles |
Ele passou a manhã imaginando as coisas boas que poderiam estar fazendo naquela hora. Ela passou a tarde olhando o calendário para conferir quando cairia os feriados do próximo ano. Eles passaram a noite em silêncio torcendo para que os dias passassem com a mesma rapidez com que deixam de ficar pensando um no outro.