25.10.10

Túnel do tempo ou Onde eu estava antes de estar aqui

um eu
com pretensões estáticas
resolve parar

com o fito de filtrar a vida
por entre os grãos
de ampulhetas mortais

com o olhar detido
nas divagações do meu imaginário
vou tirar férias de mim

fadigado e farto
estou saindo de cena
vou atrás do que vejo à frente

desapegado de antigas certezas
seguirei com relutância
vencendo-me secretamente

(publicado em 27 de outubro de 2009)

19.10.10

Tungstênios da paixão

Naquela hora em que a brisa tênue desfaz a rigidez das nossas preocupações, e a pálida luz balsâmica do lusco-fusco suaviza nossos semblantes, e todos os sentidos mergulham na paz vespertina, a vitória de mais um dia vivido na companhia mútua ergue triunfante o seu estandarte de glória. Se já se faz noite, as trevas não obscurecem o perene bem-querer de todas as horas. Corpos na horizontal e libido na vertical, a disparar-se num romper estratosférico, enquanto o universo silencia no cume do nosso prazer, bem como as molas, que de tão exigidas chegam a ficar incandescentes.

18.10.10

Cida

Quem é você Mere Cida?

Você estava desapare, Cida?

Você pegou o germi, Cida?

Misturou como fungi, Cida?

E deu pro sui, Cida?


7.10.10

Gambiarra


Certa vez li que David Sedaris, no seu livro Engolido pelas Labaredas, num dia em que faltou água no seu apartamento em Nova Iorque, chegou a se utilizar da água do vaso de planta para fazer um pouco café, pois, nas suas palavras, "era impossível sair para trabalhar sem um pouco de cafeína circulando pelo corpo". Na foto acima, encaminhada pelo amigo Alessandro, dá para se imaginar que o cara até consegiu a água, mas faltou o gás. #putafaltadesacanagem.

1.10.10

Ávida Teresinha


Ávida, queria gastar a vida

por um impulso de oblação

ação de ofertar

o próprio pulsar

do seu coração


Ávida, perseguia um ideal de vida

como quem seguia um cortejo

havia gratidão no seu repousar

e pressa no seu despertar

pois amar era seu maior desejo


Ávida, quis ser pequena nesta vida

onde era amante e amada do Senhor

e no coração da Igreja

sua alegria benfazeja

era ser o Amor

«A Caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que se a Igreja tinha um corpo, composto por membros diferentes, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos, compreendi que a Igreja tinha um coração, e que este coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia agir os membros da Igreja, que se o amor viesse a extinguir-se, os apóstolos deixariam de anunciar o Evangelho, os mártires se recusariam a derramar o sangue… Compreendi que o amor englobava todas as vocações, que o amor era tudo, que se estendia a todos os tempos e a todos os lugares…numa palavra, que era eterno!...
Então, no excesso da minha alegria delirante, exclamei: ó Jesus, meu amor…a minha vocação, encontrei-a finalmente, a minha vocação, é o amor!...
Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e este lugar, ó meu Deus, fostes Vós quem mo deu…no coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor…assim serei tudo…assim será realizado o meu sonho!»